quinta-feira, 26 de junho de 2014

A eleitoralização da ética

Qual o fator decisivo do voto? Qual é aquele que pode influenciar como última palavra na decisão do eleitor?
 
Em geral, os fatores são aqueles concretos, palpáveis, que dizem respeito à situação econômica real de cada eleitor. A situação individual contando mais do que a situação do próprio país. “Se eu vou bem, pouco, ou menos, importa o país”.
 
Há estes fatores tangíveis e mensuráveis como renda, emprego, saúde, segurança, educação, bolsa família. Mas, nestas eleições, dois fatores menos mensuráveis e intangíveis, e que crescem na sociedade brasileira, podem vir a influir também.
 
O primeiro é a religião. Nos Estados Unidos, este fator está encoberto no código contra ou pró-aborto. Aqueles religiosos e conservadores, estes não necessariamente. No Brasil, tentou-se esta dicotomia na eleição passada.
 
Mas, com a divisão cada vez maior entre evangélicos, católicos e sem religião, não vão ser necessários estes códigos. Sobretudo, porque parece ser a palavra de ordem: evangélico vota em evangélico e ponto final. Levam vantagem. Católico não vota necessariamente em católico.
 
O outro fator é a ética. Haverá uma força político eleitoral da ética? Nos últimos anos, e mais recentemente, as oposições têm tentado colocar no PT, e na base aliada do governo, a etiqueta da corrupção com o Mensalão e agora Petrobras.
 
O Supremo Tribunal Federal não está deixando sair de pauta a questão da improbidade dos políticos. Ontem, por exemplo, decidiu receber denúncia contra o deputado Oziel de Oliveira, ex-prefeito do município baiano de Luiz Eduardo Magalhães, por desvio de verba pública e dispensa indevida de licitação.
 
Segundo as investigações do Ministério Público, quando ainda prefeito, Oziel autorizou a compra sem licitação de combustível suficiente para que os carros da prefeitura dessem uma volta ao mundo diariamente. Até que ponto este fator da moralidade no trato da coisa pública vai ser importante? Difícil saber.
 
Em Pernambuco, o senador Jarbas Vasconcelos aparece, ainda preliminarmente nas pesquisas, como candidato mais votado para deputado federal. Jarbas vem de uma trajetória adversa, na oposição a Lula e a Eduardo Campos nos últimos anos. Uma das explicações possíveis para esta sua recuperação é o estilo de liderança que sempre assumiu, desde o antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Liderança em favor da democracia e da ética na política.
 
Num momento em que faltam ao país lideranças com nitidez de comportamentos, Jarbas construiu país afora, como oposição a Lula, José Sarney, Renan Calheiros, uma permanente referência.
Qual o fator que prevalecerá? E, sobretudo, qual o que distinguirá um candidato de outro?
 
Joaquim Falcão
Do blog do Noblat

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